29 novembro 2006

O País do esquecimento

Se houvesse um símbolo que determinasse com precisão o substantivo esquecimento, esse símbolo, sê-lo-ia , talvez: o tumulo – lugar reservado aos corpos sem vida, repouso último do milagre da existência, da redução e transformação da complexidade do ser em terra/pó, em substrato ou nutriente para uma nova vida.

A ampulheta, ou se preferirmos, o deus Cronos, mede tudo inexoravelmente, sem atender às qualidades inerentes a cada um. O tempo que decorre do nascimento à morte, é a nossa única certeza da possibilidade de vida, verdade em si mesma, evidência, que dispensa o método científico de verificação, e o de autenticidade histórica.

Se a vida é uma evidência, também o são, os sucessivos acontecimentos por ela originados. Gravados nos anais do Eterno, e sem possibilidade de reinscrição posterior, ou adulteração temporal dentro do espacial.

O homem, que trás consigo qualidades que o diferenciam das demais espécies; parece também trazer, como que uma sombra de si: a mentira, a inexactidão, a falsidade do facto histórico, a transmutação da mentira em verdade.

Assim o é de facto, esta evidência adulterada da história, este reinscrever sucessivo sobre o ocorrido, sobre o acontecimento, sobre o dado. A subtileza da linguagem, ou as armadilhas do pensamento, são os novos pilares que sustentam todo o edifício histórico, sempre a ser reinscrito pelos novos senhores do mundo e da verdade das coisas (mas, como uma macieira só dá maças – evidência, logo, há factos indesmentíveis e infalsificáveis pela boca humana).

Os senhores, donos até da verdade do tempo, do ocorrido, ou da sua falsificação; vemo-los a transpirar verdade, a transpirar putrefacção histórica, como se o ocorrido fosse desmontável, falsificável, pudesse voltar a trás.

Os Deuses estão atentos, pois tudo fica registado no arquivo!...

24 novembro 2006

Combater

Para protecção dos bons e homens santos
e para acabar de vez com os criminosos
e no objectivo de firmar o Dharma,
d’yuga em yuga, Eu manifesto-Me.

Vyassa, Bhagavad-Guitá, Lisboa, Relógio D’água, 1996, pag.81

Lamentas quem não deves lamentar
e, no entanto, tu falas como um sábio!
Mas, homens que são sábios de verdade,
não choram nem por mortos nem por vivos.

Idem pag. 49

Levanta-te, portanto, e combate, alcança a glória!
E, depois de vencer o adversário, goza dum reino próspero.
Por Mim, estes, já foram abatidos dum só golpe:
sê simplesmente Meu instrumento, ó Ambidextro Arqueiro!

Idem pag. 161

Krixna, incentiva Ardjuna a combater os exércitos interiores, a ser ele mesmo, a dominar-se a si, tomando as rédeas da tirania das emoções.

Extrapolando o convite ao combate pessoal, devemos com as devidas consequências elevar o combate a um nível mais amplo, quer dizer, devemos sem medos ser senhores do próprio destino, sem pensarmos nos meios. O que importa, são os fins, e esses, já estão previamente gravados no livro divino. O futuro decide-se no presente, com os acontecimentos do passado. Portanto, para quê esperar? Porque se delega no outro o governo das nossas coisas, a decisão final das nossas vidas? Porquê? Será falta de coragem? Será que queremos ficar inertes, absortos no nada, no deixar andar, no olhar para o lado, para não ver a realidade? Porque será? Pergunto-vos, meros mortais, feitos de pó, moldados na forma incognoscível e incompreensível, desejais ser sempre assim, toldados por outros, vividos por outros? Porque esperais? Levantai-vos ó homens, endireitai as costas, sede diferentes dos outros animais pelo que tendes em cima, e não em baixo. O campo de batalha é já ali à frente. Uni-vos! A glória dos céus está reservada aos audazes, cujo nome ficará gravado no espírito da humanidade para todo sempre!

O grito da alma aprisionada clama por liberdade!

20 novembro 2006

Dia após dia

«Os Mestres dos tempos antigos eram livres e sábios. Na vastidão das forças do seu espírito, ainda não existia o ‘eu’, e esta espontaneidade da força interior dava grandeza ao seu aspecto. Eram prudentes como quem atravessa uma torrente invernal; vigilantes como quem sabe que tem à sua volta o inimigo; impossíveis de agarrar como o gelo em fusão; rudes como a madeira em bruto; vastos como os grandes vales; impenetráveis como a água turva.
Quem, hoje em dia, com a grandeza da sua própria luz, poderia iluminar as trevas interiores? Quem, hoje em dia, com a grandeza da sua própria vida, poderia reanimar a morte interior?
Naqueles, existia a Via. Eles eram indivíduos senhores do Eu: e era na perfeição que se resolvia a sua falta.»

Citação de Lao-tse, por Julius Evola

Quem, pergunta o Mestre?
Quem, ainda se encontra vivo, senhor de si mesmo, desperto, consciente do tempo presente?
Do que existe em excesso, produtos que suprimem todas as necessidades; e do que não sobra, “graçando” pelo vazio de uma vida a outra miséria de uma esmola de pão.
Quem, neste mundo, grita às obscenas desigualdades?
Quem, neste mundo, ainda encontra forças dentro de si para resistir, enfrentar sem medos: a humilhação, a dúvida, o desespero, o desassossego, a infâmia, a maledicência, a difamação?
Quem, neste mundo, está disposto a ser ele mesmo?
A viver para si, a dispensar a máscara social, a hipocrisia do politicamente correcto.
Quem?

A grandeza da alma, não se reflecte necessariamente no outro. Ela é grande por um esforço contínuo de aproximação ou retorno ao sublime. Dispensa filtros. Como dispensa o convívio com o vício, que a diminui e enfraquece.
Quem, ainda se encontra de pé?
Quem?
Só o tempo o dirá.
Só o tempo separará o trigo do joio.

Resta-nos, isso sim, restaurar o esforço de aproximação ao sublime.

Resistir, ser, iluminar!

15 novembro 2006

PELA VIDA

Continua a saga quase inglória pelo não, ou seja, pela defesa intransigente da vida. Agora que o Tribunal Constitucional aprova a proposta de referendo apresentada pelo PS, onde se pode ler: "Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?" Há aqui qualquer coisa que escapa ao constitucionalista, quer dizer, se o artigo 24 da CRP diz explicitamente que "a vida humana é inviolável"; então pergunto aos excelentíssimos doutos, que dizem ser independentes do poder Legislativo e do poder Executivo (tudo pura ilusão, conversa de crianças...) onde começa a vida? Será às dez semanas ou aos nove meses, ou então quando a criança decide sair do ventre materno, ou será quando a fecundação se dá? Enfim, o julgamento divino far-se-á a seu devido tempo. Por agora, enquanto meros mortais, e com a real possibilidade de dar e tirar a vida, resta-nos há luz do artigo 21 da CRP, resistir, e repelir pela força aqueles que ofendam os nossos direitos, visto não ser possível recorrer à autoridade pública, que parece ter abdicado da sua função primordial, a da defesa da vida humana!
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A apologia da barbárie segue dentro de poucos meses?

11 novembro 2006

Workshop

Preâmbulo

Depois de debatido nos céus, o conteúdo deste conto, o deus Thoth decidiu publicá-lo.

Os meus agradecimentos ao Thoth, por me deixar postar aqui este conto de ficção:
- Certo dia recebeu, um conhecido meu (o Pedro, nome fictício), um convite para passar um fim-de-semana algures aí numa serra de Portugal. Este encontro tinha um nome engraçado, Workshop! Mas perguntam vocês, workshop de quê?
Workshop de desobediência civil!
- Como medidas de “segurança” não se levava nada com que as autoridades pudessem pegar...até porque estas “festas” são divulgadas descarada e provocatoriamente. Chegados os campistas, e depois dos abraços e saudações do costume, os “capo’s” já tinham a logística preparada e aí vai breefing. Divide-se a malta em grupos e passamos à acção (formação) política: a globalização, as multinacionais, o ambiente…depois vieram os amigos internacionais, contactos, as formas de luta (não faltaram imagens em portáteis das manife’s), etc.
- Conta o Pedro (nome fictício – com um labor bem real), que a sua principal missão era prestar atenção aos convidados estrangeiros! Um espanhol, daqueles que de Espanha não gosta nada, foi o seu principal foco de atenção!? Depois do reportório “legal” (ocupação de edifícios, cortes de estrada, contra manifestações, invasão de escolas…), vieram em tom de brincadeira e metidos ali como uma espécie de improviso (graçola de meninos) a confecção de um cocktail- molotov! A excitação aumenta, aparece logo uma garrafa, “assalta-se” um depósito de um automóvel, arranja-se um pouco de óleo, faz-se a mistura, acende-se a mecha…todos quiseram experimentar. O “espanhol” continuava atento e alguém lembra-se de lhe fazer perguntas sobre a “calle barroca!” A palavra mágica foi proferida e o êxtase era visível nas carinhas dos jovens burgueses com os cabelos compridos e sebosos (que os papás dizem com um encolher de ombros – são jovens, coitados).

Mas isto é tudo ficção, e o artigo 46 da CRP, não lhes é aplicado – pois não são fascistas nem paramilitares!...

Conto de ficção – extraído de uma história verídica, a que o deus Thoth teve acesso.

05 novembro 2006

Leitura obrigatória

DO LEGIONÁRIO E SUAS OBRIGAÇÕES
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Efectivamente, o caminho vertical não é para todos (embora para muitos), mas está ao alcance daqueles que se sentirem capazes de não tergiversar o Ideal!

Aposentados de luxo

A notícia sobre os 382 políticos, beneficiários de luxo, que vão usufruir de uma pensão vitalícia transmisível, no valor médio de 20 mil euros ano; foi posta a circular com um propósito oculto e bem definido. Cujo sentido é o de desviar o olhar da lista de aposentados/reformados da caixa geral de aposentações, que o ministério das finanças e da administração pública pôs em aviso nº 11637/2006, publicado em Diário da República nº 210, Série II de 2006-10-31. Quer dizer, tenta-se assim tapar o sol com a peneira. Quem detiver os olhos na lista, verá com espanto, os montantes das pensões, e questionar-se-á sobre a crise real do país. Parece que a crise passa efectivamente ao lado de alguns, e esses alguns, coincidência ou não, estão sempre em greve, com os respectivos sindicatos a reivindicar direitos para os seus associados.
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Ide mortais, ver a lista!
Ide, e continuai a acreditar nas promessas vãs, proscritas por bocas de meros mortais cuja língua anda longe da verdade.
Ide, e continuai a cantar-lhes hinos, ide!

01 novembro 2006

Auxiliar de memória para deputados

O Thoth, não poderia deixar passar mais uma brincadeira de democratas.
Não querem os meus amigos saber, que os deputados da Nação S.A.., estão a ser convocados por…para estarem presentes na Assembleia da República.
É preciso o senhor presidente da A. R., vir lembrar aos excelentíssimos doutores o dever para com a dita Nação S.A.; o que significa, que os representantes muito legítimos do povo português, têm que ser convocados para comparecerem no seu local de trabalho; logo, deduz-se, que a convocatória existe, porque a ausência dos amigos do trabalho e do zelo público é mais forte do que o sentido colectivo de defesa daqueles que os elegeram.
Bem hajam!

Transcrição de parte do documento Enviado:

Assembleia da República
Gabinete do Presidente
Convocatória

“Por determinação do senhor Presidente da Assembleia da República convoca-se V. Ex.ª, para uma reunião plenária que terá lugar no próximo dia 31 de Outubro de 2006, pelas 15:00 horas, com a seguinte ordem de trabalhos:”…

Palácio de S. Bento, 26 de Outubro de 2006