30 junho 2007

Poder e Justiça

Lembrava-nos ou admoestava-nos Trasímaco, personagem que Platão introduz na República, para dar corpo a um tipo de sofista muito semelhante aos actuais políticos profissionais, e cujo conceito de justiça se alicerça no melhor que o liberalismo económico tem para oferecer: O que está no interesse do mais forte. Assim dizia Trasímaco, assim, desgraçadamente, dizem os actuais governantes da nação. Claro que não o dizem por estas palavras, nem precisam; as suas palavras subtis, coadjuvadas por uma prática que não mente, falam por eles, sendo inevitavelmente o prenúncio da única justiça que interessa ao poder, seja o económico, ou o aquele que o legitima pela lei: o político! Falar de outras justiças, ou de um conceito de justiça adequado ao cidadão no seu todo, é o mesmo que comparar a riqueza de um pobre com a riqueza de um rico, entenda-se material. Nada é mais falso, assim, a justiça só existe na cabeça do bom cidadão, aquele que cumpre ou representa o seu papel enquanto vivo, nada mais. Platão, ao inventar a figura de trasímaco, deixou-nos um legado de sabedoria, isto é, deixou-nos a possibilidade de pensarmos por nós, de analisarmos as tramas do poder, de não nos iludirmos com palavras bonitas, nem com sorrisos do momento. Qualquer justiça do homem do poder, é por conseguinte, uma justiça deficiente, inacabada, logo, toda a armadura criada para justificar o poder é coisa de crianças para entreter que gosta de ser entretido!

3 comentários:

Anónimo disse...

Desculpe-me lá esta parvoíce, estive agora a ler o blogue, e fiquei com uma dúvida, digamos, ptoto-metafísica. E é a seguinte: havendo uma legião vertical, ela poderá subir ou descer, como nos mostram os princípios de Euclides, mas sendo o interesse o de avançar, de preferência para a frente, não seria bom que a Legião fosse Frontal? Perdão pela invulgaridade da questão, e se por questão de disciplina hierárquica / associativa, não me puder dar resposta. Sinceros cumprimentos.

Anónimo disse...

*Proto-metafísica, quis dizer.

Thoth disse...

Caro anónimo das 10:02, a resposta à pergunta que formulou com astúcia, está nas suas palavras:

"...e se por questão de disciplina hierárquica...não me puder dar resposta..."

Do mesmo modo que olhando para uma casa, não se vê os alicerces, o mesmo se poderá dizer de uma Organização, quer dizer, olhando para o nome, não se vislumbra mais nada do que o nome.

Caro anónimo, este blogue é pessoal, não da Legião, embora o deus Thot faça parte da hierarquia terrestre da Legião.

Cumprimentos, e escreva para a Legião: legiaovertical@gmail.com