22 julho 2007

Laicidade

Falar de estado laico, sem enumerar o contrário ou o evidente, que no dia a dia se revela religioso, ou então, mostra-se com um carácter mais laico do que religioso, significa tão só ser hipócrita, falso, democrata republicano liberal de trazer por casa; enfim, um sem número de substantivos e adjectivos que designam apenas as mais diversas caras de que se reveste o homem dito laico, sem apego a nada de concreto a não ser os bens materiais, quer dizer, o que está fora dele, o que não tem relação alguma consigo mesmo, a não ser na mera satisfação material, que logo se esfuma para dar lugar a outra necessidade habilmente criada para gáudio pessoal, e enriquecimento de uns poucos. Se o estado é laico, e faz desse laicismo torpe a pedra da toque que o eleva bem alto, no seu republicanismo caseiro, sem substância nem hierarquia que se veja, como explicar ao mais distraído, que o dito estado laico celebra feriados religiosos quer ao nível central, nacional, quer ao nível local, autárquico; enfim, ser hipócrita é dizer pouco, é um eufemismo para o verdadeiro hipócrita, quem sabe, um insulto há sua forma de ser e de estar. Este estado laico faz-me lembrar o cristianismo em ascensão; o cristianismo denegria as outras culturas religiosas, mas tirava-lhe o sumo. O estado liberal laicizado, também denegride a religiosidade cristã, mas mantém-lhe a aparência festiva, que convém as massas. Assim parece andar o país dos tugas, de mentira em mentira até ao desastre final!

8 comentários:

Santos R. Queiroz disse...

Caro Thoth, diz muito bem. Mas está visto que a hipocrisia quer suceder ao tomate como a maior cultura nacional. Que fazer com todos eles, hipócritas assumidos (e crentes na sua hipocrisia)?

Saudações.

Anónimo disse...

concordo. Acabemos imediatamente com os feriados religisos.

Thoth disse...

É muito fácil, devemos continuar a escrever sobre o que entendemos ser a verdade factual, e essa permanecerá enquanto houver quem escreva sobre ela!

Cumprimentos

Opintas/Bernardo Kolbl disse...

E pior, confunde laicidade com secularismo.
Interessa. Bem rematado, o final.
Um abraço.

Anónimo disse...

é "denigre", e não "denegride".

Thoth disse...

É sim senhor caro anónimo das 07:50, (presente do indicativo).

Obrigado

Xantipa disse...

Caro deus Thoth,

Não sei se o deu desabafo vem a propósito de algo concreto, mas se é sobre o facto do nosso estado ser laico, não concordo consigo.
O contrário de religioso não é materialista. Se assim fosse, tristes e muitos maus exemplos teríamos dentro de, por exemplo, a Igreja Católica. Se fala em religioso referindo-se a quem sente uma ligação com algo que o transcende, com que se liga, independentemente de ser uma relação organizada numa qualquer igreja, também não significa que quem não tenha essa dimensão desenvolvida não possa ser pessoa abnegada e não materialista.
Um estado laico permite um ecumenismo não autorizado num estado religioso. Num estado em que a religião seja a muçulmana, não me parece que seja fácil ser cristão, por exemplo.
Gosto de saber que vivo num país onde todas as religiões são toleradas e se permite o acesso ao estudo de qualquer uma.
Quanto aos feriados, penso que são poucos os que os vivem no seu sentido mais profundo. Se devemos acabar com eles? É-me indiferente, mas compreendo que fazem mais da nossa cultura que da nossa religião.
Um abraço e obrigada pelas suas visitas sempre tão simpáticas.

Thoth disse...

Cara Xantipa,
a observação é pertinente. Como seria de esperar da esposa eterna de Sócrates.
O desabafo, como diz, é dirigido, principalmente, aos demagogos políticos actuais, que se enamoram da laicidade do estado, esquecendo que o mesmo nasceu militar, para se tornar depois religioso-militar.

Também gosto de saber que posso escolher uma religião; embora pense que um estado deva ter uma religião, uma espiritualidade que una...

Cumprimentos do céu, Xantipa