11 agosto 2007

Escravos da habitação IV

Já vai no quarto artigo, a análise à problemática do crédito à habitação, consequentemente, ao sistema que permite o roubo descarado e legalmente institucionalizado democraticamente, que é: o liberalismo económico.
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A instabilidade que está a ser sentida no mercado financeiro mundial advém do facto, de o sector imobiliário dos EUA, estar a entrar em colapso. É óbvio, que os analistas financeiros, olham para esta instabilidade com olhos meramente liberais, quer dizer, dizem aquilo que convém, e que lhe mandam dizer, quais idiotas úteis, sempre prontos a dizer asneiras em honra do deus dinheiro. Mas o que se passa, já o Deus Thoth tinha advertido, ouviram, o que se passa, vai para além do económico; apoia-se no político e esquece o social, daí, esta crise, que se irá repetir muito mais vezes até o sistema, conforme o conhecemos, entrar em colapso. E ainda só não entrou, porque a Reserva Federal Norte-Americana e o Banco Central Europeu, já injectaram no mercado financeiro mais de 200 mil milhões de euros, o que vicia o jogo por eles criado, e pior ainda, protela o desastre final, bem como o sacrifício quase inglório que as famílias atingidas tem de continuar a fazer, sempre em defesa do deus dinheiro, essa figura omnipresente que enforca uns e dilacera os outros.
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O sistema financeiro, nomeadamente, o que diz respeito ao crédito hipotecário, assenta em muitas mentiras descaradas que o Deus Thoth já fez o favor de desmascarar, mas que agora volta a relembrar, pelos menos duas dessas mentiras do chamado liberalismo económico devem ser objecto de análise cuidada. O primeiro: é o preço multi «inflacionado» da habitação nova e usada. Primeiro erro, e primeiro indicador de risco, que levou o sector imobiliário dos EUA a entrar em instabilidade nos mercados financeiros; aqueles que ganham dinheiro com o esforço de outros (mas isso também ade acabar - sentença de Deus). O segundo, concerne à taxa de juro praticada pelos bancos, mas sabiamente fixada pelos bancos centrais (nada é ao acaso); também nos EUA, o incumprimento ou, se preferirmos, o não pagar a hipoteca bancária, levou a que a banca ficasse com casas em sua posse, que depois, de feitas todas as contas, não valiam aquilo que os clientes tinham dado por elas. Coisa linda, esta do liberalismo económico, enquanto está tudo bem, vale, quando vem o primeiro sinal de aviso e alarme, já não vale, não sei se entenderam o sentido da expressão, mas quer dizer mais ou menos isto, sois burros que nem portas!
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A maximização do lucro, expressão típica do liberalismo económico, deve ser traduzida há luz dos novos acontecimentos e do contínuo lucro da banca por: rouba o mais que puderes! E continua a roubar enquanto os bancos centrais suportarem, com o dinheiro dos outros, o mercado financeiro.
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Uma última, por agora, observação aos dois factos analisados, o preço muito elevado das habitações novas e usadas, e as taxas de juro. Se as casas não valem o que se pede por elas. Porque continuam os bancos a avaliá-las por um preço não real? Simples, porque o cliente o pode pagar, e o mercado ainda pode absorver. Se as casas estão avaliadas acima do que valem, então o empréstimo/hipoteca bancária, incidirá sobre o valor, não real da habitação, mas do que os empresários da construção, com o beneplácito da banca e políticos (não nos devemos nunca esquecer destes), determinam. Depois desta análise fria ainda continuam a acreditar no sistema financeiro, nos políticos e nos «mérdia», que têm andado quase calados a este respeito, e quando abrem a boca, é para porem os tais idiotas úteis a falar. Ainda acreditam neles, ou irão, de uma vez por todas, tomar consciência, que todos juntos (pelo menos, os mais capazes), somos suficientes para mudar o rumo dos acontecimentos.
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Nestas alturas, cito sempre um mortal.
Somos escravos daquilo que nos faz medo. Antístenes

7 comentários:

PintoRibeiro disse...

Deixei-te um post a comentar, sffavor.
Abraço,

Santos R. Queiroz disse...

Caro Thoth:

Mais uma vez, é exposto o liberalismo de que se deve fugir- o que existe ou poderá alguma vez existir. Eis como a Família, a sagrada Família, se vê escrava (na sua expressão) da mensalidade da casa, do carro, do electrodoméstico... e muitas vezes nem os consegue obter, sendo isso mais um factor de instabilidade. Privilegiam-se os parasitismos, ou não fossem eles a base de todo este sistema, e as economias funcionam como um peso dos cidadãos, e não como a maneira de, pela Dignidade e pelo Trabalho, os mesmos terem a possibilidade de satisfazerem as suas necessidades e desejos.

Que é feito das grandes certezas? Estarão mortas? Vamos ressuscitá-las, venha o novo rumo por que se anseia!

Cumprimentos.

Carlos Portugal disse...

Caro Santos Queiroz:

Estou plenamente de acordo com a sua análise. Na verdade, as economias e os economicismos transformaram-se em autênticos Molochs das populações. Estas, em vez de se verem servidas pela economia, são tornadas escravas dela, tudo para maiores lucros dos accionistas de classe A que controlam ou pensam controlar o Planeta.

E é claro que a Família, pilar fundamental da sociedade, é para esses energúmenos um perigo. E uma Família coesa ainda mais. Por isso a tentam destruir, dispersar os seus membros, desenraizar as pessoas, para melhor as controlar.

Estarmos cientes do que se passa e combatermos este estado de coisas com todas as nossas forças é um imperativo do qual poderá depender a nossa sobrevivência, não só como membros de uma sociedade civilizada (e não economicista e esclavagista), mas também como seres humanos.

Um abraço.

Anónimo disse...

Tiveste bem ó Thoth. É caso para dizer que esta análise não veio de cima mas de dentro, das entranhas.

Malaquias (o barbeiro)

Nero disse...

E do medo de ter medo.

Thoth disse...

Caro santos Queiroz,como já é seu hábito, a análise ao texto é dirigida, neste caso à família, pilar fundamental de uma sociedade sã, talvez por isso, esta sociedade não seja tão sã como nós o desejaríamos.
Quanto às certezas, é preciso fazê-las ressurguir, e isso compete-nos a nós, os mais capazes!

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Caro Carlos Portugal, esse combate de que nos fala, deve ser travado o mais cedo possível, sob pena de não deixarmos nada de jeito aos nossos filhos...

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Caro Malaquias, vejo com gosto que regressou a esta sua casa...

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Esse medo, caro Nero, ainda é pior, pois sofre-se por antecipação.

Cumprimentos a todos

Carlos Portugal disse...

Nem mais, Caro Thoth, nem mais...

Um abraço.