24 agosto 2007

Escravos da habitação V

Mais uma vez, e nunca é demais referi-lo, a Reserva Federal Norte-Americana e o Banco Central Europeu injectaram respectivamente, 17,25; e 40,00, mil milhões de euros para satisfazer o apetite voraz dos accionistas, bem como dos especuladores gatunos. Volto a relembrar que este dinheiro, é fruto do PIB de casa país, e não de meia dúzia de abutres, que vivem à custa do esforço alheio. Graças a este dinheiro vindo do céu, o BCE pode continuar a sua senda contínua de subida das taxas de juro. Existe ainda quem acredite nestes senhores, economistas ao serviço do liberalismo económico? Ou já acordaram de um sono profundo, no qual se libertam das dívidas suicidando-se, ou quanto muito, entregam as suas casas de ânimo leve, como se o esforço despendido até aí fosse todo ele inglório. Acordai, oh homens! Não vedes que o roubo é descarado!
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Nota de reflexão: o preço final do empréstimo bancário não são os meros 4 vírgula qualquer coisa impostos pelo BCE, mas sim os 4 e..., da TAEG, mais (+) a soma dessa taxa por todos os anos em dívida. O que significa, que a taxa efectiva ronda os 100%! Leram bem, os precisam de óculos.
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Algumas almas, e algumas delas, até boas, vêm o sentido da vida reduzido à mera condição de eternos devedores, só porque, acreditaram neste sistema, e tiveram a triste sorte de ter como políticos, gente que serve e se serve da forca alheia!...

7 comentários:

Nero disse...

Parece que ninguém vê nada.
Cumprimentos.

PintoRibeiro disse...

Bfdemana, abraço.

Carlos Portugal disse...

Caro Thoth:

O que causou o quase «crash» da bolsa de Nova Iorque foi exactamente a insolvência de milhões de famílias com dívidas à banca por causa de empréstimos imobiliários. Os bancos, na sua sede criminosa de lucros imediatos, tem vindo a subir os juros e a CAPITALIZÁ-LOS, tanto lá como cá (o que é proibido por lei, mas sabemos como estas «instituições» estão fora da lei). Essas subidas contínuas desiquilibraram os orçamentos familiares dessas famílias, levando-as a não poderem cumprir os pagamentos do empréstimo.

Como resultado, os bancos ficaram-lhes com as casas, embora estas valessem muito mais do que a dívida por pagar. Contudo, como a situação se generalizou, deixou de haver mercado para essas casas, ou seja, pessoas com verba suficiente para as comprar. Assim, os bancos ficaram com monos nas mãos e descapitalizados.

Em vez de baixarem as taxas de juro e renegociarem os empréstimos com os clientes (que seria o rumo a seguir, se não fossem tão gananciosos e estúpidos), os bancos receberam as ditas «injecções» de capital da parte do Fed e do BCE, a juros reduzidos (para eles), aumentando ainda mais os juros aos clientes. Ou seja, agravando mais e mais a verdadeira causa da instabilidade.

Creio bem, caro Amigo, que esta gentinha neo-liberal entrou numa realidade virtual completamente esquizóide, que nem sequer lhes deixa ver o óbvio. Ou seja, que caminham a passos largos para o abismo.

Só espero é que as populações acordem e não se deixem arrastar também. Afinal, se os bancos forem à falência, o credor deixa de existir...

Mas que vamos ter tempestade, isso vamos.

Abraço.

Thoth disse...

Parece que sim, caro Nero.

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Bom fim de semana, Pinto Ribeiro.

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Caro Carlos Portugal, mais uma vez tem razão. Mas o que me chateia, se é que me deve chatear, é o facto de o povo, apesar de perder os seus bens, continuar a acreditar no sistema.
Não sei se é do futebol, ou se são os mais diversos entretenimentos que o mantém ofuscado. Longe da realidade, da luta de deve travar enquanto é novo e ainda tem as energias todas. Enfim, o que é preciso: é criar-se muito rapidamente uma ordem que defenda, de uma vez por todas, os mais afectados por estas crises criadas pelo capital!

E como tão bem disse, se o credor abrir falência deixa de haver credor! Será por isso que eles andam aflitos. Será?

Cumprimentos divinos

navegação disse...

Muitos dos Portugueses encontram-se ainda anestesiados com a revolução de Abril.

Saudações Nacionalistas

Opintas/Bernardo Kolbl disse...

Bom dia!!! Cheguei, carai.
Abraço.

Anónimo disse...

Os responsáveis do BCE (não sei como se chamam os caramelos), disseram à uns tempos que tinham de aumentar os juros para combater as tendências inflacionistas. Mas ao injectar dinheiro no mercado como fizeram, não estão a criar inflação?
Carlos