13 dezembro 2007

Comentário...de Carlos Portugal

A necessidade de travar o actual e catastrófico estado de coisas é, como se usa dizer, «para ontem». Na verdade, a corrupção é apenas uma das facetas intrísecas do «novo sistema» que estes ignóbeis querem impôr, sendo o nosso Portugal - uma vez mais - o «balão de ensaio» a que o tal eurocrata criminoso se referiu. Vem isto a propósito de dois dos seus postais, o presente, e o anterior, de umas «medidas» bombásticas e extremamente graves anunciadas ontem pelo governo (temos de deixar de usar a palavra «executivo», pois faz parte da nomenclatura programadora de mentalidades) e ainda de um filme muito recente e aparentemente louco e superficial, que é o terceiro «episódio» dos «Piratas das Caraíbas». Bom, passo a explicar: os «powers that be» actuais, o polvo que tenta dominar o planeta e que dá por diversos nomes, mas que se resume ao poder mercantilista e plutocrático das grandes dinastias bancárias e dos grandes conglomerados globais, está a preparar o ensaio da fase final de implementação do seu regime, um misto de estalinismo com capitalismo selvagem (comparável à «Companhia Inglesa das Índias Orientais» do aludido filme). Portugal é, como disse, mais uma vez o balão de ensaio. A ideia é privatizar tudo, passando o Estado a ter meramente a função de zelar pelos interesses económicos dos grandes accionistas das empresas globais que se apropiam das «terras, cousas e gentes» do País. Começaram pela Saúde, com os «hospitais S.A.», e o fecho de urgências e maternidades, substituindo-as por clínicas privadas, com os tristíssimos resultados que os «media» apenas deixam transparecer. Repare-se que não sou contra o sector privado, mas a ausência de concorrência em relação a este (e não nos iludamos com «concorrências» entre empresas privadas, pois nesta maldita globalização estas estão todas cartelizadas) vai fazer com que os «hospitais s.a.» ditem as leis, estabeleçam os preços - sempre no maior interesse do lucro - e cheguem a não tratar doentes por estes não terem um «seguro de saúde». A este propósito, as pessoas ainda não se aperceberam que, uma vez «esgotado» o «plafond» do dito seguro (o que é rápido, no caso de doença), os prémios são imediatamente aumentados para valores de usura descarada, nunca compensando o valor pago. Depois, querem «privatizar» as estradas de Portugal - não o organismo, mas as ESTRADAS - entregando-as como prenda a uma qualquer empresa da cambada. Esta irá então impôr portagens em todas elas, começando pelos itenerários principais, implementando assim um neo-feudalismo (sem as coisas boas que o Feudalismo também tinha, e que se omitem, começando pelo princípio da Honra). Ou seja, para nos deslocarmos no nosso País, pelas estradas construídas pelos nossos avós (as AE já são pagas a peso de ouro), vamos ter de pagar aos verdugos que nos escravizam. Por fim, vem a «notícia» de que querem acabar com as duzentas e tantas comarcas judiciais do País para formarem apenas 23 «super-tribunais». Antes de mais, a «ideia» não é nova, já foi tentada com a história (felizmente abortada) da «cidade judiciária», há alguns anos atrás. Foi também testada com o desastre de substituir centenas de esquadras de polícia pelas ditas «super-esquadras», tendo como resultado imediato um aumento brutal da criminalidade e da insegurança nas zonas onde as esquadras foram extintas. E agora, vêem com os «super-tribunais», já se falando nas «super-escolas». Qual a razão deste exercício de aparente magna imbecilidade? Explico: A finalidade é tão-somente a de PRIVATIZAR totalmente a Justiça, as polícias e o Ensino, entregando-as aos ditos conglomerados macro-económicos para que eles também deles tirem lucro (ou seja, de todos nós). Nesses «super-tribunais», o juiz-presidente é substituído por um GESTOR (!!!) empresarial, possivelmente nomeado pela banca, que fará também o papel de comissário político. Os juízes serão assim controlados como qualquer empregado de uma empresa e «castigados» ou despedidos se as suas decisões forem contra os interesses da «empresa judiciária» ou de algum dos novos tubarões. E a que Tribunal de Trabalho se irão eles queixar, se todos são controlados pelo empregador? E os milhares de desgraçados despedidos sem justa causa de empresas privadas (serão todas) a quem se irão queixar? Isto significa, simplesmente, o fim do Estado de Direito, vigente na Europa pelo menos desde o Império Romano. Nas escolas, circulam exactamente os mesmos rumores. Assim, os filhos dos «sponsors» acabarão sempre por ter boas notas e carreiras asseguradas, e os outros, professores incluídos...Sabendo da «qualidade» dos nossos «gestores» e políticos, é um pesadelo mais horrendo do que qualquer ficção totalitária. Ou produzes e consomes, dando lucro ao sistema, ou seja, à oligarquia dominante, ou és descartado...Termino este longo comentário (o Caro Thoth desculpe-me) com a tal referência ao aparentemente louco filme. Há dois momentos a reter: logo a sequência de abertura, com o enforcamento dos civis acusados (por um tribunal da Companhia das Índias, não do governo de Sua Magestade) de colaborarem com os piratas. É uma jóia de simbolismos vários:- Repare-se de que quem governa e administra «justiça» não é o governo, mas sim a Companhia privada (o que aconteceu realmente no Séc. XVIII);- Repare-se na enumeração dos direitos e liberdades suspensos ou eliminados. A terminologia não é a da época, mas sim uma paródia amarga, quase ponto por ponto, ao «Patriotic Act» do presidente Bush. Pouco mais tarde, o poder do Estado tradicional é eliminado pela Companhia na figura do Governador, que é assassinado quando já «tem valor» para aquela, ou seja, já «não dá lucro», tornando-se um entrave;- Repare-se também na bandeira da Companhia: uma «invenção» curiosa para o filme, com as cores da bandeira da União Europeia (a verdadeira bandeira da Companhia Inglesa das Índias Orientais era vermelha e branca, com um padrão muito semelhante à actual bandeira grega, que é em azul e branco);- Repare-se igualmente na moeda que o miúdo condenado faz girar entre os dedos: um dobrão espanhol filipino (e não uma «peça de oito», como dizem no filme), simbolizando o poder do dinheiro, que é retirado a quem - como o miúdo - não pertence à Companhia. - Por fim, o miúdo é enforcado e a moeda voa, cai, aparecendo então o título/legenda: «No Fim do Mundo». Fabuloso. O segundo momento é a frase do director regional da Companhia, quando o navio-almirante Endeavor está a ser despedaçado a tiro de canhão pelos piratas. Com uma expressão vazia, resultante da perplexidade de quem vê os planos não seguirem pelo rumo traçado, apenas consegue murmurar «It's only good business»...E é contra este «good business» de alguns - corruptos e gananciosos até à medula - que temos de lutar - hoje, agora - para que os tempos mais próximos não sejam «O Fim do Mundo» para a esmagadora maioria dos Seres Humanos. Quanto à «democracia», já era, se é que alguma vez foi (nem na Grécia).
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O deus dinheiro parece estar a ganhar a guerra em todas as frentes!?
Que fazemos nós?
Porque esperamos?
A onde está o futuro, e a quem pertence?

2 comentários:

Francisco Múrias disse...

Assinem a petiçao contra a ASAE

http://www.petitiononline.com/naoasae/

Bernardo Kolbl disse...

Bom fim de semana e um abraço.