27 maio 2008

Estarão a acordar?

Ora muito bem. Aqui chegados a pedido dos fiéis mortais (alguns já se queixam que o Deus está a ficar amolecido), concluímos, que pelo reino da terra, onde habitam todos aqueles que não são Deuses, a mentira é agora a nova Deusa, disfarçada de justiça, de liberdade, de igualdade, de fraternidade, ou o que isso possa representar. O ideal liberal que advoga para sua defesa e sustento tanta mentira, é um ideal para totós, é um ideal, que nos dias de hoje, representa, rouba o mais que puderes. Passo a explicar, com questões alheias e interrogações tardias. O liberalismo, ao contrário do que alguns idiotas nos dizem, não se auto-regula a ele mesmo, nem muito menos a lei do mercado é suficiente para suster os devaneios (palavra bonita, faz-me lembrar outras coisas), da desmesurada cobiça burguesa. Aqui, o Estado (não este, que não existe - e que só serve para prender gente pequena), deveria, como é sua obrigação, executar medidas tendentes a travar a especulação desmedida do especulador (que não mata com armas, mas fá-lo de um outro modo mais simpático, dito liberal e sempre sob o signo da livre iniciativa). Poderiam objectar que a democracia é parlamentar, e depois, para que serve o parlamento, se não consegue ver o que um cego vê!
Voltemos ao estado menino, quando disse que iria utilizar questões alheias, estava a pensar no inteligente Sarkozy (até no nome é esquisito), que sugeriu um limite no IVA sobre os produtos petrolíferos, como se o problema estivesse neste imposto. O problema está nos especuladores, naqueles que não matam mas matam, pois provocam muito mais dano do que se pode imaginar.
A interrogação diz respeito ao sono profundo do senhor Soares, quer dizer, parece que só agora acordou para a vida, parece que só agora estamos a viver menos bem, enfim, trata-se de mais um treinador de bancada, que enquanto treinador efectivo, sabe Deus (neste caso sei EU, Deus das alturas).
Enquanto eles dizem estar a pensar em resolver o problema da especulação, os especuladores continuam livremente a especular (tudo dentro da lei, e com a aval da autoridade da concorrência).
Caros mortais, este ano estive com um Deus, lá para os lados de Roma, que me avisou sobre a responsabilidade de ser um Deus, e logo sob o signo da cautela. Só que, como Deus, também tenho o dever de zelar pelos meus fiéis mortais, que nesta era especulativa, são vítimas indefesas das arbitrariedades do democrata liberal especulador. Ora aqui está o verdadeiro bandido, aquele que não mata mas mata, aquele que não rouba mas rouba.
Meus amigos mortais, peço que reflictam! Será preciso uma nova guerra santa? Desta vez, não travada contra os infiéis, mas contra o especulador, e contra a aquele que vive do lucro do especulador, e que no entanto diz estar a governar-vos.
Porque esperais?
Que futuro querereis para os vossos?
Não estará na hora...

25 maio 2008

Estado da Nação...

Vanessa Fernandes, venceu mais uma taça do mundo em triatlo. No entanto, de que nos falam as televisões, de futebol, mais futebol, directo do jogador x que está para chegar, directo da ida a casa de banho para fazer chichi, enfim, histeria dirigida às emoções do povo, que já vive resignado com o estado da Nação, ou resignado por saber que essa mesma nação já não existe!
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O Sócrates parece ter descoberto a galinha dos ovos de ouro, que não é mais do que sentir que o povo que ele governa está apático, amorfo, cabisbaixo. Este sentimento aplica-se ao povo pobre, pois existe um outro povo mais digno, aquele que tem sido beneficiado pelas várias medidas governativas do mestre de cerimónia. Se assim não fosse, como explicar o aumento, não da riqueza dos que menos tem, mas dos que já tem muito.
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É a gasolina, são as portagens, são os vícios políticos, é todo um regime assente na mentira, fruto de um Ideal inócuo, transfigurado em nada, e cuja máxima reside no rouba o mais que puderes, se não és parvo.
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Como pode o regime dizer-me que eu transferi para o Estado o meu direito à livre escolha de um sistema político, de uma forma mais digna de governar?
Quando atingimos o estado adulto, não escolhemos nada, não damos assentimento a nada; já está escrito algures que demos a outros a possibilidade de nos defender, de nos governar. Meus amigos, tudo tretas! Tudo mentiras! Tudo maquinações feitas pelo sistema liberal capitalista democrata. Se olharmos para trás, se nos debruçarmos sobre a história, concluiremos que meia dúzia de conceitos que fazem as nossas vidas, estão mais ligados do que se pensa! Portanto, ficar constantemente emotivo com as travessuras do Sócrates é sem se saber, permitir o avanço das maquinações governativas que nos são diariamente impostas.
De pouco serve ser treinador de bancada, muito menos, agir limitado pelas emoções, quer as próprias, quer as dos outros, aqueles que esperam pacientemente que um outro seja queimado na fogueira por ele.
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Cavalgar o tigre dá muito trabalho, é um esforço contínuo, quase inglório, quase frustrante, pois não vemos logo o resultado das nossas acções. Se quiséssemos utilizar uma parábola, o amor serviria na perfeição, quer dizer, estávamos a procurar o resultado fora de nós, no outro, no amado, quando deveríamos procurá-lo dentro de nós, no que se produziu em nós enquanto amávamos, enquanto cavalgávamos o tigre.
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Só conseguiremos muito se tivermos muito para dar, se estivermos dispostos a, disponíveis, acessíveis, prontos para efectuar com os outros as ditas mudanças, sozinhos, apenas percorremos o caminho, apenas cavalgamos o nosso tigre, tudo o resto, é fruto de um ego mal formado, de um ego que terá no futuro o seu sofrimento, o resultado de uma escolha feita à presa e a reboque de ideias alheias e desadequadas à época em que vivemos...

18 maio 2008

Vidas sem sentido...

"A preguiça, a cobardia, levam uma multidão de espíritos a permanecerem menores ao longo de toda a sua vida"
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HAZARD, Paul, O pensamento europeu no século XVIII, Lisboa, Presença, 1974, p.40

16 maio 2008

Exames

Hoje tiveram início as provas que iram aferir do conhecimento da rapaziada! E como estamos numa de saber o que outros aprenderam durante um ano lectivo, lembrei-me, coisa de Deus, de ensinar os verbos, porque o Deus é o Verbo Divino, caído em desuso devido a um mal entendimento, quer dizer, deixaram os homens de acreditar em Deus, para passarem a acreditar no futebol, para já não entrar no campo dos ideais... Ora bem, estávamos nós a falar de verbos. Imaginem que estão numa sala de aulas, e o vosso professor é o governo. - Meninos, qual é o presente indicativo do verbo: mentir, de preferência na primeira pessoa. - Oh senhor professor, o governo não é nenhuma pessoa, é uma entidade esquisita. - O que estás tu a dizer meu filho? - Que não é pessoa, logo, não existe a primeira pessoa. - Eu disse meu rapaz, para tu imaginares. - Ah! Imaginar, imaginar que a primeira pessoa do presente do indicativo mente, professor, espere aí, o governo não mente. - Pois não meu filho. É só um verbo. - Ah, estava a ficar preocupado senhor professor. Oh senhor professor, não é proibido mentir, pois não. - Não meu filho. - Oh senhor professor, espera lá, isto faz-me lembrar aquele trocadilho do é proibido mas faz-se, e aqui ainda é pior. - Pior porquê, meu rapaz? - Porque se não é proibido mentir, todos mentem, e se todos mentem. Vivemos num mundo de mentiras. - Ainda és muito jovem, e a vida ainda te vai ensinar muito...Vais ver. - O professor não está a mentir pois não? - Não meu bom rapaz, estuda, e se puderes, vai jogar futebol, isso é que é importante. - Obrigado senhor professor.
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E assim, os deuses abandonaram definitivamente o homem descrente, e foram forjar outra humanidade para lado incerto!...

09 maio 2008

Crise agrícola...

A crise dos produtos agrícolas, ou a crise provocada pela especulação sobre os preços dos produtos agrícolas? Qual será? Antes de responderam ao ler, façam a seguinte pergunta ao estado português: Dá o estado português ainda subsídios aos agricultores para não produzirem? Subsídios para mudarem de culturas ao sabor da UE? Subsídios para culturas que não alimentam ninguém? Subsídios para produzir apenas o estipulado? O que está dentro da cota exigida pela UE! Quem ganha mais: o produtor ou o intermediário? Se o produtor dedica a sua vida à produção, porque razão damos mais crédito ao mero especulador/intermediário, cujo único trabalho (que nem é físico), é gerir a organização, a empresa intermediária, a que transporta. Terá o estado moral para continuar com tais subsídios? Queremos nós ficar atolados em cidades, enquanto a desertificação dos campos se dá sob o signo do progresso, do lucro, do produto vindo sabe-se lá de onde. A única prova de autenticidade de origem está num mero autocolante posto no produto, nada mais! Falar de crise, sem analisar o que esta por de trás, é ingenuidade, é deixar levar-se por mentiras do sistema, pelos mentores do caos!...
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"O ideal da razão concebido no século das Luzes, a fim de libertar e elevar o homem, foi pervertido em favor da racionalização que só já visa dois propósitos: a organização e a rendibilização financeira."
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Michel Lacroix

04 maio 2008

Finanças

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O problema do fisco, ou se preferirmos, o problema do estado, é um problema de mentalidade, de esperteza típica portuguesa, onde a astúcia individual, e também empresarial, é muito bem vista, tipo glória ou vitória sobre o estado, fugindo às suas obrigações fiscais. Contudo, isto só se passa, porque as finanças são ineficazes (embora os seus altos quadros ganhem muito bem), e não conseguem determinar que é impossível a um cidadão viver com x se ganha y. Pensamento básico da dialéctica económica. Pior ainda, é quando a indiferença, o deixar andar, toma as rédeas da máquina fiscal. Ou quando os chamados exemplos públicos declaram ganhar uns míseros x's, ao mesmo tempo que levam uma vida repleta de muitos y's. Como isto parece ser um tumor difícil de erradicar, só há uma hipótese, a saber: deixar o Deus Thoth, em comissão de serviço, gerir o fisco. E logo no primeiro ano iremos ver resultados, não só expressos em números, mas, aqui é que interessa, na quantidade daqueles que irão passar uns dias a uma qualquer residência colectiva para gente de bem, entenda-se: residência prisional! O resto, a maneira de agir actual é treta, se o patrão declara, está tudo bem, se não declara, está ainda melhor, pois ganha x, e consegue, furto de um esforço individual incompreensível transformar esse único x, em muitos y's, e assim vai o reino dos tugas, um reino de gente muito esperta...e outros atributos muito mais dignos!