19 janeiro 2010

Banca e democracia I

Começo esta série de artigos sem alinhavar nenhuma Ideia no papel, não só por manifesta falta de tempo, como da despreocupação com a sintaxe, porque mais importante é o assunto em si mesmo.
Neste sentido, e com uma comparação simples, tento exemplificar, como o estado moderno tem tendência a preferir a banca aos cidadãos, isto é, soa mais depressa o alarme estatal se um banco entrar em processo de insolvência do que o socorro efectivo à falta de alimentos de alguns cidadãos.
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Neste aparente sem sentido entra um sentido oculto. Esmiuçando a fundo, a fome de um ou mais cidadãos é algo menor aos olhos do estado, se entendermos o ponto de vista do poder. Neste sentido existencial, o sentido do cidadão para o estado resume-se apenas aos impostos e à subserviência deste...
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Percebe-se que o poder temporal reside não no estado, como seria desejável, mas em cidadãos saídos dos partidos, e que absorvem o estado na sua totalidade, qual autocracia.
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No entanto, se o cidadão não tem um papel relevante no sistema democrático, o mesmo já não se pode dizer da banca. É esta quem financia, quer o cidadão anónimo, quer o estado. Mas vai mais longe, permite ao estado o controlo mais eficaz sobre os seus cidadãos, na medida em que, se estes desejarem satisfazer os seus desejos, terão de trabalhar, e como o salário auferido não é o suficiente, ainda têm de recorrer ao crédito, isto é, se desejarem acompanhar o tempo contemporâneo.
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O dinheiro posto à disposição da banca para colmatar os negócios menos claros praticados pelos bons gestores, é uma clara afronta ao pobre, ao que necessita, ao que nada tem. Contudo, e vendo o lado do estado, é a banca quem financia, mais ainda, é a banca quem garante, e é aqui que queria chegar, o sistema democrático. Quer dizer, se a banca entrar em insolvência colectiva, o sistema democrático sucumbe.
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É este o sentido oculto proteccionista do estado em relação à banca, pois é esta quem permite a existência do actual modelo governativo...

3 comentários:

Carlos Portugal disse...

Caro Tot:

Também a braços com falta de tempo e uma forte gripe muito humana, não queria deixar de passar por esta Sua Casa para lhe declarar a minha total concordância com este Seu postal.

De facto, na década de 80 assistiu-se à primazia da «empresa» sobre o cidadão, passando depois à primazia actual da banca sobre tudo o resto, inclusivamente os valores. Há que ter consciência disto, e erguermos bem alto as bandeiras das nossas mais nobres convicções, para travarmos, quais inúmeros grãos de areia com a ajuda de Deus, a máquina infernal que é o sistema autocrático e oligárquico instalado.

A este propósito, há um filme recente muito curioso, um «thriller» que expõe o problema com todas as letras, e o qual recomendo. É o «The International», que por cá traduziram como «A Organização». Está em DVD, e tanto a explicação que nele o candidato presidencial italiano dá pouco antes de ser morto num comício, como depois a do ex-agente da Stasi, enganado pelos governos comunistas e agora pela banca que o contratou, são sublimes de clareza e precisão.

De notar a actuação da Máfia, poder paralelo ao dos bancos, mas que actua contra estes se lhes tocam na «omertá»...

Um grande e forte abraço.

Tot disse...

Caro Carlos Portugal,
espero que essa gripe não tenha vindo pelo sistema informático :)
nem seja a gripe A, aquela que fez de algumas industrias farmacêuticas, ricas empresas...

Fiquei com vontade para ver o filme que referiu.

Tenha o meu amigo rápidas melhoras.

Um abraço

Carlos Portugal disse...

Muito obrigado, Caro Amigo.

Forte abraço.