27 julho 2010

A parábola do político camaleão

Quando se estuda a biologia do camaleão, ficamos com a impressão nítida que o animal evoluiu na natureza de modo a preservar-se. A selecção natural agiu neste animal com eficiência. A adaptação ao meio vai ao ponto da mudança de cor que se traduz por uma camuflagem, que o protege dos predadores, como permite, por outro lado, que ele também seja um predador sem ser notado.
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Num olhar rápido pelas características deste animal perfeitamente adaptado; vemos aqui algumas semelhanças com um outro tipo, o animal racional (Aristóteles) emotivo que é o político.
Tanto um como o outro, utilizam a língua para caçar as presas. Se o primeiro, identificado com o camaleão, caça a presa devido à sua língua comprida, o segundo, o político, caça as suas presas (pois utiliza a razão emocional para convencer os demais que tem a solução para a vida deles, quando ainda não encontrou a solução para a sua) devido à constante utilização de vocábulos que parecem ter muito sentido, mas que na prática resultam em pouco. À semelhança do camaleão, o político também muda, não de cor, mas de promessas; o que hoje tem muito significado e por vezes é mesmo razão de Estado, amanhã não tem significado nenhum nem representa nada que valha pena continuar a nomear. Uma outra característica do político reside no facto de se adaptar com muita e hábil facilidade às adversidades do momento. Todavia, tal como o camaleão, que não é dotado de razão, partilha com ele uma capacidade quase inata para a agressividade, que no caso do político, se mascara de politicamente correcto...

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