11 julho 2010

Pensamento

Um dos problemas apontados à democracia, reside na falta de mérito dos representantes do povo, designação que deveria ser substituída na constituição, por nela (povo) caber tudo. Mas falemos do mérito ou da falta dele, e do que essa falta origina de perverso na democracia representativa. Todos sabemos como se elege um governante, previamente escolhido pelo partido, no qual o dito povo não tem voz nem é chamado a pronunciar-se. Mesmo ao nível partidário, dá-se o caso de o partido apresentar um candidato dito natural que alguém com poder de decisão já decidira na sombra a sua eleição. Mas voltemos ao mérito, uma vez eleito o representante do povo, este tem o poder discricionário de escolher os homens da sua confiança (interessante, isto é, se analisássemos as relações de solidariedade facilmente concluiríamos que antes de ser considerado o representante do povo, esse afamado representante, não tinha ninguém da sua confiança para exercer qualquer cargo político, o que significa, que após a eleição, o partido encarrega-se de colocar os da confiança, não do representante, mas do partido).
Mas não é tudo, uma vez escolhidos os amigos para os cargos de ministros, vem a necessidade da escolha dos secretários de estado. Depois os assessores, os motoristas, as secretárias... Mas as peças ainda não estão todas colocadas. Faltam as empresas públicas e de capitais públicos e afins. Os PCA, os directores de primeira linha e segunda. Estes também têm poder para escolher quem querem consigo, qual homens de confiança, e assim, de cima a baixo, toda a hierarquia está habilmente orquestrada apenas para os da confiança do partido. Pior ainda, os recursos humanos dessas empresas são meras peças decorativas no jogo do poder, uma vez que são reféns das decisões daqueles chamados representantes do povo que mudam de lugar ao sabor de uma eleição democrática.
Esta forma pouco ortodoxa de hierarquia, de viciação do mérito, cria obviamente desigualdades no acesso aos cargos públicos de decisão e de maior relevo, uma vez que o partido do poder reparte pelos seus os despojos da eleição. Neste sentido, não existe livre iniciativa, acesso transparente ao poder, e igualdade de oportunidades. São tudo conceitos bonitos, mas afastados da realidade da democracia representativa contemporânea...
Em suma: a falta de mérito na hierarquia deve-se à democracia, que ainda não evoluiu o suficiente para se libertar das amarras da falta de mérito dos amigos da confiança. E que assim, provoca danos irreparáveis na sociedade dita democrática!

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