10 agosto 2010

País em chamas III

Antes de sabermos que o aumento de impostos (que nunca haveria, mentirosos) iria servir para pagar a nacionalização do BPN, de obras públicas adjudicadas por um valor nunca cumprido, e para pagar a incompetência; já sabíamos pela prática que o trabalho de quem trabalha era canalizado para pagar aos malandros, aos vadios, aos bêbados, aos insurrectos, aos criminosos, aos assassinos, aos pedófilos, e ao sistema que sufoca quem produz em favor de quem nada faz. O que descobrimos agora, e que provavelmente não sabíamos: é que somos os culpados dos fogos que consomem o país. A responsabilidade da calamidade fora deduzida ao português, sem mais nem menos, como se os portugueses fossem responsáveis pela incapacidade do Estado em gerir-se e em gerir os outros, entenda-se, os portugueses. A utilização do plural para responsabilizar a comunidade, pertence a quem a produziu, isto é, ao operacional do SNPC que deveria imediatamente por o seu lugar à disposição.
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Dito isto, devemos considerar fazer algumas analogias com a frase proferida, o que significa que: se somos os responsáveis pelo que se está a passar no país no que concerne aos fogos, também nos podem sacar responsabilidades em relação ao crime, às violações, aos assassinatos, e por aí fora, sem temer qualquer tipologia de crime, nascida por analogia.
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Todavia, esta responsabilização colectiva esconde a incapacidade face ao que está a ocorrer, o que significa, que qualquer dia, ninguém é responsável, bastando para isso invocar o plural, a responsabilidade dos outros e não a sua, aquela que lhes fora confiada mas que, por inaptidão ou não, não a souberam usar devidamente...

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