12 agosto 2010

País em chamas IV

Finalmente, aparecem o presidente da República, e o primeiro ministro, provavelmente ainda a tempo de darem uma ajuda no combate às chamas.
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A democracia portuguesa tem este vício peculiar, que radica num princípio muito simples, e que se multiplica, dependendo de onde sopram os ventos, isto é, se tudo estiver a correr muito bem, todos aparecem risonhos, cheios de vida, de moral e coisas do mesmo género; no entanto, se algo corre mal, tipo a actual situação dos fogos, que em alguns casos, perdeu-se o controlo por falta de meios, então utiliza-se aquela habilidade característica da democracia que é: não fazer muita onda, não aparecer, não dizer nada, como que a querer esquecer o país real. Mas como o tempo teima em continuar quente e os fogos em lavrar sem descanso, lá tiveram que aparecer, meio a medo, a apalpar terreno, agora que as sondagens estão favoráveis, provavelmente devido ao bronzeado do sol, que dá uma outra cor aos semblantes, tornando-os menos carregados, mais fotogénicos e dados a sorrisos que só a época estival permite.
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Ter ou não ter, eis a questão?
Qual a utilidade de algumas funções?...

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