08 setembro 2010

Justiça à portuguesa

Propositadamente, coloquei no artigo anterior a capa da República de Platão. Tal facto, serve para sustentar a evidência das relações de poder e justiça que existem em democracia. Platão, na sua obra, coloca na boca de Trasímaco a seguinte expressão: a justiça é a conveniência do mais forte. Ao utilizar este argumento de justiça, Platão tão só quis fazer ver que a justiça é aquilo que determinados homens querem num determinado tempo e espaço. O que significa, que o conceito de justiça, que deveria estar acima, no mundo das Ideias, como conceito são, esta afinal ao nível dos homens, sejam estes bons ou maus. Acresce ainda, que o conceito de justiça pode ter raízes nos homens menos bons, que num determinado tempo e espaço, detenham os meios que permitem o poder, o que obsta para que o conceito de justiça seja de facto um conceito tendo em conta a justiça de todos...
Neste sentido, a expressão acima aludida concorda com o conceito de justiça contemporâneo, que reformulo: a justiça é a conveniência do que tem mais poder. O contrário é uma utopia.

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