09 novembro 2010

Doutrina democrática

Faz algum sentido que nos preocupemos com a Pátria?
Faz algum sentido que nos preocupemos com o futuro do povo Português?
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A doutrina não explica a apatia, não explica a indiferença, não explica o sem sentido, não explica o derrotismo, o andar cabisbaixo, as lamurias, os desatinos, as conversas tidas a medo, os desabafos.
A doutrina pode até explicar sob a égide da tecnicidade o desacerto crónico das contas públicas, mas não explica o ar triste do povo, a resignação ora fingida ora sentida.
A doutrina não explica as mentiras, as promessas, o ódio tido ao povo, não explica nem pretende substituir o divino.
A doutrina parece morta, tal é a humilhação que inflige ao povo.
A doutrina envergonha, dissimula, transforma, aniquila.
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Devemos perguntar para que serve a doutrina?
Se ela escraviza, se ela tiraniza, se ela cria novos pobres, novos ricos, assimetrias.
Para que serve a doutrina, se não se lhe vislumbra uma chama, um chamamento, um sentido colectivo.
É enfim uma doutrina derrotada por quem a deveria defender, amorfa, vazia, distante, inconsequente, cada dia mais afastada do povo, aquele a quem ela deveria dar voz, representar, dar sentido, justificar-se...
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A onde está o sentido do não sentido, se o sentido parece não ter sentido nenhum...

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