26 novembro 2010

Português "ainda" é macho

O título deste artigo é enganador, não porque o deus Tot queira propositadamente enganar os seus leitores, mas porque o título só por si vende o artigo, que neste caso obriga a ler, numa Internet comprometida com o excesso e a alienação...
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Mas voltando ao essencial: o Português "ainda" é macho, é claramente ofensivo, na medida em provoca, coloca o homem num pedestal elevado. Mas vai mais além, quer ir mais além, quer mostrar que afinal o homem Português não é assim tão macho (como o fora no tempo das descobertas), agora, ele, o homem Português, resigna-se, esconde-se, transfigura-se, amua, fica descrente, fica com medo, medo de si, da sociedade e do mundo, e essa sua revolta transforma-a numa agressividade caseira, onde o medo é substituído pelo peito inchado, pelo ar altivo, pelo eu é que mando, mas que não manda, porque se mandasse agiria de outra forma...
O ratinho da sociedade deu lugar ao leão caseiro, isto é, o medricas de fora transfigura-se num terrível guerreiro para dentro, onde o sexo oposto, o feminino, mais sofre. E é aqui que quereria chegar, uma vez que só este ano, o macho Português, conseguiu a triste proeza de assassinar 39 mulheres, e outras quase idênticas (entendam-se números) tentativas de homicídio. Este é claramente o Português dos tempos modernos, refugiado no lar, onde é leão. A analogia pode muito bem ser transmutada para uma outra esfera da sociedade, que aqui não importa referir, por ser mais exemplo para a fogueira, no entanto, não fico bem comigo mesmo se não referir um outro exemplo, aquele que radica na velha expressão que impede o agir sobre a sociedade, e que repetidas vezes é dito: tenho família. Não posso fazer nada. Não me metas nisso. COBARDES, COMO COBARDES SÃO TODOS AQUELES QUE ASSASSINAM MULHERES, não exceptuando os que sabendo, se resignam ao não agir, incluindo autoridades...

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