28 julho 2010

Verdade...

"A verdade acaba sempre por vir ao de cima".
Sócrates, o político
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Se cada verdade viesse sempre ao de cima, à medida que vai sendo descoberta, o Estado teria que considerar fazer mais prisões, ou então mandar produzir milhares de pulseiras electrónicas...o que obviamente onerava as contas públicas, já de si insuficientes...

27 julho 2010

A parábola do político camaleão

Quando se estuda a biologia do camaleão, ficamos com a impressão nítida que o animal evoluiu na natureza de modo a preservar-se. A selecção natural agiu neste animal com eficiência. A adaptação ao meio vai ao ponto da mudança de cor que se traduz por uma camuflagem, que o protege dos predadores, como permite, por outro lado, que ele também seja um predador sem ser notado.
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Num olhar rápido pelas características deste animal perfeitamente adaptado; vemos aqui algumas semelhanças com um outro tipo, o animal racional (Aristóteles) emotivo que é o político.
Tanto um como o outro, utilizam a língua para caçar as presas. Se o primeiro, identificado com o camaleão, caça a presa devido à sua língua comprida, o segundo, o político, caça as suas presas (pois utiliza a razão emocional para convencer os demais que tem a solução para a vida deles, quando ainda não encontrou a solução para a sua) devido à constante utilização de vocábulos que parecem ter muito sentido, mas que na prática resultam em pouco. À semelhança do camaleão, o político também muda, não de cor, mas de promessas; o que hoje tem muito significado e por vezes é mesmo razão de Estado, amanhã não tem significado nenhum nem representa nada que valha pena continuar a nomear. Uma outra característica do político reside no facto de se adaptar com muita e hábil facilidade às adversidades do momento. Todavia, tal como o camaleão, que não é dotado de razão, partilha com ele uma capacidade quase inata para a agressividade, que no caso do político, se mascara de politicamente correcto...

23 julho 2010

Pensamento

A busca ou a investigação da verdade em Portugal, é como a água de um rio. Se a água de um rio desagua no mar, encontrando aí todo o tipo de água e detritos, o caso da verdade não anda muito longe, isto é, enquanto se persegue a verdade, esta parece correr em direcção a todo tipo de mentiras...

22 julho 2010

História

Marc Bloch 1886-Junho de 1944
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Jamais se poderá concordar com os silêncios em História, muito menos com aqueles que liquidam historiadores apenas e só pela sua ascendência.
Marc Bloch fora preso, torturado, e fuzilado pelo amigos do Nacional-socialismo, em Junho de 1944...
Será que o fuzil tinha mais valor do que o mestre pensador da escola dos "Annales"? Fica a interrogação sobre a ignorância de determinado acontecimento...

18 julho 2010

Doutrina democrática

A doutrina democrática enferma de um erro crasso, quase insolúvel, dentro do actual pensamento. Pensamento esse que defende que um governado pode ser amanhã governante, e depois de novo governado, sem que entre os dois e o tempos que mediou a passagem governado/governante/governado não haja solidariedade institucional e de grupo social, tendente à manutenção do poder a qualquer preço. Não vemos intenção por parte do governante, em gerir com eficácia os problemas reais do país, o que detectamos é que governante não deseja mais voltar a ser parte dos governados, o que nos leva a concluir que a ascensão social do governante suplanta e anula o mero desejo e promessa do governado em governar para o todo.
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Dito isto, ou actual modelo de governação muda, ou então estará a acumular problemas reais que as futuras gerações terão de resolver à custa de mais sacrifícios, perfeitamente evitáveis no presente...

15 julho 2010

Pensamento

No momento em que escrevo estas linhas, está o parlamento a debater o estado da Nação. E eu a pensar que todos os dias se debatia o estado da Nação, fim para o qual fora criado o parlamento. A não ser que seja mais uma ilusão democrática sobre a utilidade de tão sublime casa.
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Como é que se pode debater o estado da Nação, se a verdade dos números não é apresentada? Ocultar esta verdade não é governar, é desenrascar. Tudo o que se dizer para além disto, redunda numa impossibilidade governativa.
Dois exemplos concorrem para formar esta inverdade. Primeiro, o orçamento da Assembleia da República para o ano de 2010 é de: 191405356,61 milhões de euros. Segundo, o valor dos custos conhecidos para a ligação Lisboa Madrid em TGV é de 421770000,00 milhões de euros.
Dados estes dois exemplos, podemos perguntar se para discutir o estado da Nação é preciso gastar tanto dinheiro? E se o valor do custo do TGV, mais o valor anual gasto na sua conservação, que ninguém ainda parece conhecer, justificam que se faça o TGV?
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A verdade dos números, isto é, o valor real das receitas fiscais mais as previsões, devem ser conhecidas, devem ser disponibilizadas a todos os portugueses. As despeças do Estado devem figurar por rubricas bem definidas, e claras, por forma a conhecermos a verdade da despesa do Estado. O contrário é anti-democrático...

11 julho 2010

Pensamento

Um dos problemas apontados à democracia, reside na falta de mérito dos representantes do povo, designação que deveria ser substituída na constituição, por nela (povo) caber tudo. Mas falemos do mérito ou da falta dele, e do que essa falta origina de perverso na democracia representativa. Todos sabemos como se elege um governante, previamente escolhido pelo partido, no qual o dito povo não tem voz nem é chamado a pronunciar-se. Mesmo ao nível partidário, dá-se o caso de o partido apresentar um candidato dito natural que alguém com poder de decisão já decidira na sombra a sua eleição. Mas voltemos ao mérito, uma vez eleito o representante do povo, este tem o poder discricionário de escolher os homens da sua confiança (interessante, isto é, se analisássemos as relações de solidariedade facilmente concluiríamos que antes de ser considerado o representante do povo, esse afamado representante, não tinha ninguém da sua confiança para exercer qualquer cargo político, o que significa, que após a eleição, o partido encarrega-se de colocar os da confiança, não do representante, mas do partido).
Mas não é tudo, uma vez escolhidos os amigos para os cargos de ministros, vem a necessidade da escolha dos secretários de estado. Depois os assessores, os motoristas, as secretárias... Mas as peças ainda não estão todas colocadas. Faltam as empresas públicas e de capitais públicos e afins. Os PCA, os directores de primeira linha e segunda. Estes também têm poder para escolher quem querem consigo, qual homens de confiança, e assim, de cima a baixo, toda a hierarquia está habilmente orquestrada apenas para os da confiança do partido. Pior ainda, os recursos humanos dessas empresas são meras peças decorativas no jogo do poder, uma vez que são reféns das decisões daqueles chamados representantes do povo que mudam de lugar ao sabor de uma eleição democrática.
Esta forma pouco ortodoxa de hierarquia, de viciação do mérito, cria obviamente desigualdades no acesso aos cargos públicos de decisão e de maior relevo, uma vez que o partido do poder reparte pelos seus os despojos da eleição. Neste sentido, não existe livre iniciativa, acesso transparente ao poder, e igualdade de oportunidades. São tudo conceitos bonitos, mas afastados da realidade da democracia representativa contemporânea...
Em suma: a falta de mérito na hierarquia deve-se à democracia, que ainda não evoluiu o suficiente para se libertar das amarras da falta de mérito dos amigos da confiança. E que assim, provoca danos irreparáveis na sociedade dita democrática!

06 julho 2010

Pensamento

Depois de ter lido numa só noite, Os Velhos, de D. João da Câmara; e O Gebo e a Sombra, de Raul Brandão, fiquei com a impressão que a mudança característica do tempo linear não parece ter ancorado neste país que navega sem destino nem propósito existencial. Fui mais longe e audaz como Garrett, tentei sintetizar numa frase o que está dito em O Gebo e a Sombra, e o que não está, como se o que não está fosse facilmente detectável pelo auditório, por se tratar de uma peça de teatro, de um drama onde a dor e o sofrimento parecem ser os pilares da peça.
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Neste sentido, para além da síntese, logrei, e aí fui mais longe do que Marx, numa só frase, definir o sentido da existência de quem tem dinheiro e de quem não tem, de quem manda e de quem obedece.
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Para a posteridade, aqui fica a frase, com o respectivo direito de autor: A utilidade do pobre reside na necessidade do rico.

01 julho 2010

Impostos

Aumento do IVA, até para os bens de primeira necessidade, e diminuição do salário, pela força do aumento da taxa de IRS. E não vamos ficar por aqui...E depois digam que não avisei...