31 agosto 2010

Água, serviço público...

Elaborei um estudo anual sobre os consumos domésticos de água. Neste sentido, desenvolvi um estudo onde estivessem detalhadas as percentagens referentes a cada valor inscrito nas facturas emitidas pelo serviço, vulgo SMAS. E a conclusão que tirei foi deveras interessante, na medida em que o consumo da água, bem essencial, pesa pouco na factura. É estranho, se pensarmos que a factura da água deveria ser apenas e só sobre o consumo deste bem. No entanto, depois de feitas as contas, e conseguidas as percentagens, percebi que afinal a água não deve ser assim um bem tão essencial, e porquê. Porque o valor a pagar anualmente pelo consumo da água representa apenas 27% da facturação total. As outras percentagens distribuem-se do seguinte modo: 23% para a componente fixa, presume-se que seja o contador, que está fixo à tubagem...; 17% para a tarifa de utilização e disponibilidade do saneamento; 10% para a tarifa de resíduos sólidos fixo; mais 20% para a tarifa de resíduos sólidos variável, ou o que isso possa representar; mais duas taxas sem expressão, e por fim, como não poderia faltar, o respectivo imposto mascarado de IVA a 5%, que representa na facturação 3%.
Foram omitidos propositadamente os valores em euros, uma vez que deduzida a percentagem, esta serve imediatamente para aferir da validade do estudo que teve como base valores reais fornecidos pelo serviço.
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Não se entende, se é que existe entendimento possível, como pode a factura da água ser uma outra coisa que não seja a de mostrar apenas as contagens do respectivo contador da água, e consequente valor a ser pago pelo consumidor. Não se percebe, mas eu percebo, e o meu entendimento ou o que posso pensar sobre para onde vai o valor que corresponde às demais percentagens, fica apenas comigo, na minha cabeça...
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Até lá amigos, meditem sobre o que se paga, e para quem se paga...

25 agosto 2010

Democracia

Sempre que ouço falar de democracia, lembro-me de uma citação de JAL que afirmava: que a democracia era o império da opinião sobre o juízo.
Não só estou de acordo como vou mais longe na observação, quer dizer, se a opinião do vulgo prevalece sobre a do erudito, entenda-se académico, tão só significa que qualquer governo que seja eleito democraticamente por maioria dos votos dos cidadãos recenseados pode muito bem não ser o mais capaz, mas apenas aquele em quem os cidadãos (a maioria) depositaram mais confiança... por vezes cega... para os governar por uma legislatura.
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A análise da teoria democrática deve ser constante. Pois torna evidente as lacunas no modo de agir de quem governa...


18 agosto 2010

História de Portugal

Existem livros em história que são como as ressonâncias magnéticas, quando lidos, relidos e entendidos, permitem por a nu a doença de que padecia determinada sociedade. Por este motivo é que os historiadores são incómodos...

16 agosto 2010

País em chamas VI

Continuarei a escrever sobre o país em chamas, enquanto perdurar o combate aos fogos. O que já ardeu, dá para aferir do "grande" controlo dos fogos florestais. Está mais do que demonstrado, pelo menos no que diz respeito ao que está a suceder, que a prevenção, a existir, terá sido feita num outro ano que não este. O mesmo se pode concluir do combate propriamente dito, isto é, se não fossem algumas populações a defender os seus bens, o saldo trágico teria sido muito pior, o que significa que os meios são claramente insuficientes, dadas as circunstâncias geográficas e número de incidências. No entanto, a ANPC, deveria ter um plano de actuação para cada circunstância, isto é, deveria ter estudos sobre o que fazer se o número de ignições for superior aquele que supostamente está definido com sendo o razoável para os meios existentes. Pelo decorrer das últimas semanas, deduz-se que esse estudo não existe, o que significa uma vez mais que não há nenhum modo de actuação para um "ocasional" excesso de ignições.
Dito isto, ao menos a demissão de um ministro, de um secretário de estado, ou então a exoneração de um operacional, já serviria para contrabalançar a falta de meios...e afogar a inexistente prevenção...

15 agosto 2010

País em chamas V

Impõe-se uma pergunta: Para quantos carros de combate aos incêndios dava o valor do submarino recentemente adquirido pelo estado português?


12 agosto 2010

País em chamas IV

Finalmente, aparecem o presidente da República, e o primeiro ministro, provavelmente ainda a tempo de darem uma ajuda no combate às chamas.
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A democracia portuguesa tem este vício peculiar, que radica num princípio muito simples, e que se multiplica, dependendo de onde sopram os ventos, isto é, se tudo estiver a correr muito bem, todos aparecem risonhos, cheios de vida, de moral e coisas do mesmo género; no entanto, se algo corre mal, tipo a actual situação dos fogos, que em alguns casos, perdeu-se o controlo por falta de meios, então utiliza-se aquela habilidade característica da democracia que é: não fazer muita onda, não aparecer, não dizer nada, como que a querer esquecer o país real. Mas como o tempo teima em continuar quente e os fogos em lavrar sem descanso, lá tiveram que aparecer, meio a medo, a apalpar terreno, agora que as sondagens estão favoráveis, provavelmente devido ao bronzeado do sol, que dá uma outra cor aos semblantes, tornando-os menos carregados, mais fotogénicos e dados a sorrisos que só a época estival permite.
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Ter ou não ter, eis a questão?
Qual a utilidade de algumas funções?...

10 agosto 2010

País em chamas III

Antes de sabermos que o aumento de impostos (que nunca haveria, mentirosos) iria servir para pagar a nacionalização do BPN, de obras públicas adjudicadas por um valor nunca cumprido, e para pagar a incompetência; já sabíamos pela prática que o trabalho de quem trabalha era canalizado para pagar aos malandros, aos vadios, aos bêbados, aos insurrectos, aos criminosos, aos assassinos, aos pedófilos, e ao sistema que sufoca quem produz em favor de quem nada faz. O que descobrimos agora, e que provavelmente não sabíamos: é que somos os culpados dos fogos que consomem o país. A responsabilidade da calamidade fora deduzida ao português, sem mais nem menos, como se os portugueses fossem responsáveis pela incapacidade do Estado em gerir-se e em gerir os outros, entenda-se, os portugueses. A utilização do plural para responsabilizar a comunidade, pertence a quem a produziu, isto é, ao operacional do SNPC que deveria imediatamente por o seu lugar à disposição.
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Dito isto, devemos considerar fazer algumas analogias com a frase proferida, o que significa que: se somos os responsáveis pelo que se está a passar no país no que concerne aos fogos, também nos podem sacar responsabilidades em relação ao crime, às violações, aos assassinatos, e por aí fora, sem temer qualquer tipologia de crime, nascida por analogia.
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Todavia, esta responsabilização colectiva esconde a incapacidade face ao que está a ocorrer, o que significa, que qualquer dia, ninguém é responsável, bastando para isso invocar o plural, a responsabilidade dos outros e não a sua, aquela que lhes fora confiada mas que, por inaptidão ou não, não a souberam usar devidamente...

09 agosto 2010

País em chamas II

Poderia muito bem começar este pequeno artigo com uma fotografia que classificasse o "grande" controlo da ANPC no combate aos incêndios, mas não o vou fazer, apenas e só peço que os meus leitores leiam A Nota de Esclarecimento emitida em 29 de Julho pela ANPC a esclarecer o que não tem esclarecimento...para depois poderem tirar as devidas conclusões.
No entanto, cito um comandante de bombeiros que afirmava em directo para as televisões que já não descansava à mais de 48 horas, o que contradiz a referida nota de esclarecimento. Vou mais longe, e peço uma auditoria exaustiva, que não me importo de a fazer, sobre o número de horas seguidas que cada bombeiro efectivo passa a combater os fogos. O mesmo se aplica à alimentação, isto é, se estes homens são devidamente alimentados como diz o comunicado, que tipo de alimentos, com que regularidade, etc... teríamos muito que escrever sobre o esforço quase inglório destes homens da paz, que em algumas circunstâncias são alimentados pelas populações, que se disponibilizam para o fazer, e que por estas são ajudados no seu combate às chamas, na medida em que os meios humanos e materiais não são os suficientes para um combate eficaz aos fogos.
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No entender do povo, que deseja manter os seus bens materiais intactos, o fogo não se combate com notas de esclarecimento, mas sim com suor, suor daqueles que honradamente combatem as chamas...

05 agosto 2010

País em chamas...

Em primeiro lugar, e antes da crítica, deve-se elogiar o esforço hercúleo dos bombeiros que estão a combater os fogos.
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Ainda à pouco tempo, o governo elogiava o seu esforço na preparação e disponibilidade dos meios, quer os afectos aos bombeiros, à GNR, ou à protecção civil. Todavia, bastaram uns dias de calor mais intenso, para determinar-se a insuficiência de meios, quer materiais, quer humanos. Importa saber-se, para além da falta de meios, se existe insuficiência na gestão, isto é, se foram acautelados os meios, atendendo ao tipo de vegetação, à dimensão da área, e à sua localização. Deduz-se pelo número de fogos e área ardida, e consequente número de horas seguidas de combate aos incêndios por parte de cada bombeiro, que a adequação da operacionalidade dos meios tem sido claramente insuficiente.
Dito isto, alguns pseudo operacionais deveriam ser exonerados...e mais não digo.