17 março 2011

Portugal democrático...

Fernando Pessoa profetizava que faltava cumpri-se Portugal. E não se enganara. Não só não se cumprira, como nunca se cumprirá se o sistema político de governo persistir em se manter o actual, isto é, o democrático, da alternância, do sufrágio universal, onde o voto de um malandro, de um bandido, de um assassino tem o mesmo valor do voto exercido por um cidadão cumpridor, exemplar...
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Sendo a democracia o braço político do capitalismo, facilmente se deduz que o primado da preocupação não diz respeito ao cidadão, mas à banca. Um exemplo é suficiente para fundamentar esta asserção, na medida em que sempre que a banca está prestes a definhar, os Estados correm a socorre-la, com o dinheiro dos cidadãos. Contudo, sempre que o contrário acontece, quer dizer, sempre que o cidadão parece estar a definhar, o Estado olha para o lado, fala de estatísticas, do que correra mal, das oportunidades perdidas, do mercado, da crise internacional, dos juros.
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Portugal democrático, podem escrever, é uma mentira, não existe, a não ser que este Portugal assente numa irreal igualdade de oportunidades, que se resume apenas no "poder" de voto, de escolha, de alternância, quando na verdade, as famílias políticas e de sangue permanecem nas funções decisórias, controlando desta forma não só o Estado, como o pensamento, do que pode ser dito nas mais altas esferas de poder, qual corte aristocrática, onde o modo, o saber estar, o vestir, o saber falar, são bens mais importantes do que o bem comum.
Neste Portugal democrático, o poder que advém do dinheiro representa a nova corte, simbolizada pela banca, servida pelo actual sistema político. Uma outra teoria não acrescenta nada de novo...

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