08 maio 2011

Agenda secreta...

A 30 de Maio de 1834, o então ministro da justiça, Joaquim António de Aguiar, decreta a extinção das ordens religiosas, consequentemente a confiscação dos bens patrimoniais das ordens, diminuindo deste modo estranho o poder do clero.
Estávamos em pleno Liberalismo, e como em história nada é ao acaso nem o que parece o é, o património roubado por decreto às ordem religiosas, fica a cargo do estado, que dele não sabe tratar. Mais tarde, parte desse património vai ser adquirido pela burguesia endinheirada, precisamente aquela que utilizava o poder do dinheiro para aceder ao poder dos títulos.
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Todavia, este recurso à história contemporânea portuguesa vem em boa altura, na medida em que agora, a nova burguesia, entenda-se banca e afins, quer adquirir/abocanhar as empresas públicas que até agora eram inacessíveis ao privado, e como nada é ao acaso, lá se arranjou um estratagema muito habilidoso, que consiste em criar uma crise financeira internacional que crie efectivas dificuldades aos estados governados por cidadãos sem competência, de modo a que o socorro financeiro possibilite o incremento de medidas tendentes a privatizar essas mesmas empresas. Contudo, esta medida imposta e inegociável pelo FMI e pelo FEEF, não tem como propósito a resolução da dívida pública, mas tão só disponibilizar dinheiro que pague a dívida à banca internacional, e permitir o controlo eficaz de empresas públicas rentáveis e estratégias do ponto de vista nacional.
Neste sentido, pelo menos um propósito é facilmente detectável, o da privatização das empresas públicas estratégicas, ficando deste modo o Estado "soberano" português mais diminuído e pobre...
Podemos chamar-lhe outros nomes, atribuir-lhes outras necessidades, contudo, a verdade é esta, a da banca e afins poder controlar o que era controlado pelo Estado há muito tempo, e que sempre deveria estar nas mãos do Estado, de modo a permitir o controlo eficaz da informação, dos preços e da riqueza produzida pelo Estado para o Estado...

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