29 maio 2011

Interrogação?

Enquanto não sabemos quem nos vai governar, a campanha eleitoral corre dentro da chamada normalidade lusa, o que equivale a dizer, que nada se tem dito de concreto sobre as medidas de austeridade que serão impostas aos portugueses pós 5 de Junho.
Falar de normalidade é o mesmo que afirmar que a oratória do entretenimento ou o folclore democrático de ocultação, continuam bem activos e cujo propósito, temos vindo a afirmar, é o de desviar as atenções do real problema, isto é, da hereditariedade das funções decisórias do Estado, que estão na posse das famílias política e de sangue, como se de uma obrigação democrática estivesse na sua génese, quer dizer, estivessem ali - as funções - para serem divididas entre as duas famílias.
Quem ainda não vira o controlo eficaz do Estado por parte destas duas famílias ainda não percebera nada de política, nem conseguirá entender que a trama está para durar...

23 maio 2011

Esquizofrenia política VI

A radicalidade do sistema político democrático português contemporâneo parece fundamentar-se em alguns princípios, que uma vez analisados, ajudam-nos a compreender o quão inócuos, e desprovidos de conteúdo teórico são, que justifiquem a práxis, isto é, a transformação saudável da teoria em prática, testada e percebida por todos. Mas vamos por ora falar daqueles fundamentos que achamos serem condição para percebermos porque razão chegamos a este estado, ao ponto de ser necessário pedir um resgate financeiro externo ao país...
Existe uma cultura muito própria que advoga que o português tem de fazer aquilo que vê, onde estiver em determinado momento. Percebe-se que o português colhe o exemplo dos políticos, que habilmente praticam a oratória do entretenimento. A representação quotidiana da tragédia portuguesa, que a cada novo dia, por um acto tresloucado, consegue mais adeptos, mais alienados, mais almas que apenas se limitam a sobreviver, como se o tempo presente fosse um tempo sem nada, isto é, um outro passado, onde não havia o que há no presente em que escrevemos estas linhas, e nem vale a pena nomear o que ora existe, pois é trabalho para um historiador experimentado e conhecedor do seu tempo.
Mas voltemos a texto, e aos fundamentos, sem deixar um aviso ao leitor, que por agora economizamos nas linhas que escrevemos para o não maçar na leitura. Existe um fundamento que justifica que o eleito possa governar o eleitor, aquele que sufraga. Todavia, trata-se de um fundamento sem sentido, na medida em que deixa ao eleitor o simples acto de sufragar, impedindo-o de exercer no dia-a-dia uma cidadania mais participativa e fiscalizadora, face ao eleito, que uma vez empossado na função, passa a designar-se de pequeno ditador, por achar subjectivamente que é capaz de trabalhar sozinho, e de que tudo o que diz, está conforme à divindade por ele nomeada e por ele oficializada... Parece que existe um ritual de mentira, de ilusão constante, que uma vez oficializado pelo poder parece querer tornar-se verdade...
À oratória do entretenimento adicionamos a falsa alternância política, e falsa porquê? Porque, o que mudam são as caras que vemos, não aqueles que deveriam realmente mudar, e que são as que efectivamente mandam, pois são elas que detêm as funções decisórias do aparelho de Estado, portanto, falar-se de alternância política é tão falso como dizer-se que a soma de um mais um são três...

19 maio 2011

Esquizofrenia política V

Estamos convictos que a esquizofrenia crónica de que padece o povo português, já começa a ficar enraizada nos genes, se pensarmos que a definição da doença caracteriza o povo, a sua histórica apatia e resignação. Esta doença caracteriza-se por uma perda de contacto com a realidade; qualquer semelhança com a política é apenas mera ficção. A doença caracteriza-se também por episódios de alucinações e delírios, que podemos substituir por falsas crenças. Pensamento anormal e alteração das relações sociais e laborais também são propriedades que definem a esquizofrenia. Neste sentido, e depois de analisada a situação actual da vida dos portugueses, somos levados a concluir que a esquizofrenia não só é crónica como teve a sua origem na política, que grosso modo, também perdera o contacto com a realidade do país. Todavia, a Democracia sofre de alucinações muito graves, de uma falsa crença, quase dogma ungido, de que ela, a Democracia, enquanto sistema político, é capaz de se regenerar por dentro. Contudo, tal como uma bactéria, a Democracia precisa urgentemente de um antibiótico capaz não só de curar o mal, como de prevenir que o mal ressurja. O que significa, que o remédio a tomar pode muito bem provocar efeitos secundários descritos nas contra-indicações; portanto, ou se força a Democracia a tomar o dito antibiótico, ou corremos o sério risco de ver o corpo social, económico e político a desfalecer aos poucos...

17 maio 2011

Esquizofrenia política IV

A esquizofrenia crónica de que padece o país já contaminara o FMI, ao ponto do seu director ter sido preso por alegada esquizofrenia sexual. Sempre afirmamos que a trama política se sobrepõe ao dever de servir o bem comum. Nada é ao acaso, e a história - nem que tenhamos de sermos nós a fazê-la - há-de encarregar-se de escrever sobre a verdade, isto é, sobre a necessidade do FMI, ou do FEEF, da necessidade da União Europeia, da necessidade da indexação das taxas de juro, da necessidade de manter a banca a salvo, de modo a que o sistema político, designado Democracia se mantenha de pé. É essa a única razão, quer dizer, se a banca internacional colapsar, todo o sistema político internacional entra em rotura.
Os analistas políticos e analistas das secretas de todo o lado, ainda não perceberam que o fim do sistema político conforme o conhecemos poderá estar perto, mais perto do que imaginam, como também não imaginam que no momento actual é muito fácil acelerar a queda do sistema sem muito alarido...nem muito esforço...
Neste sentido, considero que as análises que produzem sobre os perigos do presente devem também incidir sobre a análise da retórica do entretenimento político, bem como do radicalismo patente no actual sistema, consequentemente, na intransigente reforma política...

15 maio 2011

Esquizofrenia política III

Fazer ou não a revolução? Acabar de uma vez por todas com o actual modelo político? Manter ou não as solidariedades entre famílias políticas e famílias de sangue? Agir ou ficar quieto? Consentir ou não que as funções decisórias do Estado fiquem nas mesmas mãos?
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Como as respostas parecem ser mais complicadas que as próprias perguntas, resta-nos parafrasear Pessoa: a cabeça do português tem razões que a própria razão desconhece!!!

14 maio 2011

Esquizofrenia política II

Nestes tempos modernos feitos de política espectáculo, devemos encarar a oratória do entretenimento como algo saudável, na medida em que as massas parecem gostar e por vezes até admirar. O que significa, que parece haver pouco para fazer, uma vez que o conformismo colectivo concorda com a trama, concorda com a insolvência, e com o disparate, concorda também com os juros obscenos, e com a usura moderna.
Dizer o contrário parece quase uma ofensa à alienação, ao deixa andar, ao diz que diz.
Contudo, a oratória do entretenimento consegue ocultar um dado muito importante, e que está na origem desta gigantesca trama político social, precisamente aquele dado que confirma a minha teoria, que diz que as solidariedades entre famílias políticas e famílias de sangue são mais fortes do que o sentido colectivo do Estado. Solidariedades que se encontram cada vez mais fortalecidas pela necessidade de manter as funções decisórias do Estado no seios dessas duas famílias que todo controlam. O contrário, ou se preferirmos, a negação desta teoria demonstra a sua validade. A mera tentativa dialéctica de destruição do argumento alicerça a teoria, porque confirma uma tentativa para dissimular a acção concertada entre famílias...

11 maio 2011

Esquizofrenia política I

Neste tempo contemporâneo, presente, em que nos situamos, penso que existe um pensamento quase ilógico sobre o que deveria ser ou representar a política. O actual modelo político caminha para a sua extinção, na medida em que a sua dilatação no tempo o faz mais radical, mais avesso às mudanças que se exigem, para que floresça, para que se mantenha livre das amarras partidárias e radicais. A democracia representativa, que deveria ver o povo como fundamento da sua existência, olha para ele com desprezo, como um fardo que tem de carregar, que tem de ouvir sempre que este é chamado a sufragar, a decidir do que lhe fora imposto, sem recurso a nenhuma outra hipótese. Apenas sufraga, é esse o seu único direito, sufragar, escolher políticos anteriormente escolhidos pelos seus pares.
Este modelo político enferma de uma esquizofrenia crónica. Cada novo representante do povo acha-se o pai salvador, aquele a quem o povo estava destinado para ser governado. Cada novo político eleito para governar, uma vez empossado na função, toma o título de pequeno ditador, como se o país lhe pertencesse, como se o país estivesse ali à espera dele.
A doença esquizofrénica é tal ordem que ainda não percebera que a história nacional pouco dele falará, remetendo-o a meia dúzia de linhas, qual biografia - quando nascera, e pouco mais e quando morrera...

08 maio 2011

Agenda secreta...

A 30 de Maio de 1834, o então ministro da justiça, Joaquim António de Aguiar, decreta a extinção das ordens religiosas, consequentemente a confiscação dos bens patrimoniais das ordens, diminuindo deste modo estranho o poder do clero.
Estávamos em pleno Liberalismo, e como em história nada é ao acaso nem o que parece o é, o património roubado por decreto às ordem religiosas, fica a cargo do estado, que dele não sabe tratar. Mais tarde, parte desse património vai ser adquirido pela burguesia endinheirada, precisamente aquela que utilizava o poder do dinheiro para aceder ao poder dos títulos.
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Todavia, este recurso à história contemporânea portuguesa vem em boa altura, na medida em que agora, a nova burguesia, entenda-se banca e afins, quer adquirir/abocanhar as empresas públicas que até agora eram inacessíveis ao privado, e como nada é ao acaso, lá se arranjou um estratagema muito habilidoso, que consiste em criar uma crise financeira internacional que crie efectivas dificuldades aos estados governados por cidadãos sem competência, de modo a que o socorro financeiro possibilite o incremento de medidas tendentes a privatizar essas mesmas empresas. Contudo, esta medida imposta e inegociável pelo FMI e pelo FEEF, não tem como propósito a resolução da dívida pública, mas tão só disponibilizar dinheiro que pague a dívida à banca internacional, e permitir o controlo eficaz de empresas públicas rentáveis e estratégias do ponto de vista nacional.
Neste sentido, pelo menos um propósito é facilmente detectável, o da privatização das empresas públicas estratégicas, ficando deste modo o Estado "soberano" português mais diminuído e pobre...
Podemos chamar-lhe outros nomes, atribuir-lhes outras necessidades, contudo, a verdade é esta, a da banca e afins poder controlar o que era controlado pelo Estado há muito tempo, e que sempre deveria estar nas mãos do Estado, de modo a permitir o controlo eficaz da informação, dos preços e da riqueza produzida pelo Estado para o Estado...

04 maio 2011

Às armas...

"Para onde vos dirigis, homens embriagados? Bebestes a doutrina da ignorância sem a terdes purificado e já estais quase a vomitá-la por não conseguirdes aguentá-la em vós? Detende-vos e recuperai a sobriedade. Contemplai o alto com os olhos do coração; se não todos, ao menos aqueles que sejam capazes. O mal da ignorância inunda a terra e acaba por corromper a alma aprisionada no corpo, impedindo-a de atracar no porto da salvação."
Hermes Trimegisto
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Ao que parece, ainda estamos todos adormecidos ou anestesiados, não do néctar de Baco, mas das mentiras contínuas que inundam e corrompem a ética e a moral do país. O diz que diz concorre mais para os fundamentos do Estado moderno do que a verdade; o amigo do chefe e companhia tem mais valor do que o mérito, em suma: as solidariedades entre famílias políticas e famílias de sangue sobrepõem-se à lei, que deveria ser justa...

03 maio 2011

Soberania do povo...

Artigo 3.º
(Soberania e legalidade)
1. A soberania, una e indivisível, reside no povo, que a exerce segundo as formas previstas na Constituição.
Constituição da República Portuguesa
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Diz-nos a constituição que o povo é soberano, e que exerce essa aparente e dissimulada soberania por intermédio dos seus representantes, isto é, aqueles que a constituição previamente ou coercivamente disponibilizara. Não deixa de ser uma contradição quase irresolúvel se pensarmos que ao dito povo apenas está reservado o sufrágio universal, sem hipótese alguma de controlo ou decisão da vida pública.
Neste sentido, a soberania do povo tal como está inscrita na constituição é um logro; ilude quem não se der ao trabalho de fazer uma análise séria do sistema democrático...
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2. O Estado subordina-se à Constituição e funda-se na legalidade democrática.
Constituição da República Portuguesa
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Estranha a asserção do ponto dois do artigo terceiro, se tivermos presente, que na previsível situação de quase insolvência, o Estado subordina-se isso sim, à banca internacional, aos mercados financeiros, e em derradeiro caso, ao FMI e o FEEF.
Mais uma vez deixa de ter sentido não só a constituição como o sentido da lei, que não é mais do que uma tentativa activa de coercivamente controlar o cidadão...

01 maio 2011

1 de Maio de 1886

O dia 1 de Maio, nos tempos modernos de necessidade imperiosa de emprego, deve ser celebrado não como o dia do trabalhador, descontando a ressalva histórica do dia, mas como o dia daqueles que ainda têm trabalho.
Contudo, no dia do trabalhador tradicional, devemos sem medos questionar a trama democrática, isto é, quantos dirigentes das duas inter-sindicais, e dirigentes dos muitos, mesmo muito sindicatos permanecem no mesmo posto, desde a fundação dos respectivos. Interessante análise esta, se pensarmos, que as inter-sindicais e os sindicatos, são veículos de transmissão de informação, e controlo coercivo de ideias que estejam para lá do politicamente correcto. Mas voltemos à fundação dos ditos, para reafirmar que todos eles sentiram uma necessidade quase divina de se auto-promoverem, e de se auto-protegerem durante a vigência das suas funções. Todavia, esta necessidade básica de salvaguarda de interesses vai mais longe, porque mantém as mesmas solidariedades existentes entre famílias políticas e famílias de sangue. O que realmente importa no tempo histórico presente é preservação das funções decisórias do Estado, o resto, são funções menores, que qualquer um pode desempenhar.
Neste sentido, convém manter e preservar a todo custo, o modelo vigente, bem como as solidariedades familiares, que asseguram a continuidade do regime e a continuidade das mesmas famílias nas funções decisórias do Estado.
Dito isto, devemos considerar que o movimentos sindical deriva deste modelo coercivo, imposto a todos, e destinado a manter os ganhos dos mesmos...