27 agosto 2012

Homens a desfalecer...

Há homens que deixaram de viver antes mesmo de terem começado p. 87
Séneca

A sentença de Séneca não poderia ser mais actual, mais acutilante, mais propositada, se pensarmos na apatia congénita característica do português, que prefere o nada ao tudo, que prefere a cobardia ao ataque de frente, que prefere o sofá ao risco, em suma, que prefere delegar obrigatoriamente noutros o deveria ser ele a resolver.

Este homem perdeu o instinto animal de sobrevivência, porque já desistiu de caçar para si e para os seus, porque já foi formatado pelo subsídio de dependência vitalício... oferecido pelo Estado agiota, que tira a quem trabalha ou trabalhou uma vida inteira para dar a quem se recusa a trabalhar ou a sair do sofá...

23 agosto 2012

Democracia, mentira e revolta...

A democracia é uma impossibilidade lógica. É uma realidade ilusória, que vive de promessas. É o império da opinião sobre o juízo, opinião diligentemente dirigida, orquestrada e habilmente ensinada desde os bancos de escola...

Todos os conceitos que lhe dão originalidade estão por cumprir, porque ela anula a própria diferenciação natural dos seres... 

Só deste modo se pode compreender a ausência de revolta, a apatia geral e a desistência face às agruras da vida... Como se já não houvesse mais nada a fazer, como se a vida já não tivesse significado ou como se a vida fosse em si um mero respirar, apenas para permitir continuara a viver, num sentido quase animal e irracional, enfim, como se a razão fosse também ela um mero assessório, quase um impedimento para a vida plena, cheia de energia e revolta sã e viva...

Só os revoltados é que estão na disponibilidade de continuar a viver num outro patamar de vivência. Só os revoltados são capazes de transformar a sociedade pelos meios que forem necessários. Só os revoltados conseguirão transmutar-se, identificar-se com a vivência plena, a energia vivificante que tudo anima. Por último, só aos revoltados compete agir sem demoras, como se o amanhã não existisse, como se o amanhã fosse um futuro diferente daquele que nos querem impor, ou como se não houvesse simplesmente amanhã para experimentar...

18 agosto 2012

Sobre o amor...

...Amor é muito mais do que hábito, é sobretudo tempo. E quando se ama, há sempre dúvidas e medos, há sempre uma vontade secreta de outros desejos, de outras vidas, de outras viagens, mas vem o tempo e decide por nós aquilo de que não somos capazes... p.96

13 agosto 2012

História

Esta obra do historiador Geoffrey Blainey é de leitura muito obrigatória. Não só deve figurar na estante da biblioteca de um homem culto, como deve ser lida com atenção.

Uma das razões para o incómodo de se ser historiador, diz respeito à constante e inexorável procura da verdade, como se a verdade só se revelasse ao homem que tenta ver o passado com outros olhos... Olhos de interrogação, de dúvida, e de procura diligente da verdade ocultada...

Depois da leitura, o comum dos mortais vai compreender que em história, os acontecimentos não são assim tão lineares, porque o mesmo "evento" pode acontecer em tempos diferentes e espaços diferentes.O que torna mais difícil perscrutar o passado...

03 agosto 2012

Central de Inteligência

Missão do SISD:
Investigar cientificamente as relações sociais e económicas ocorridas no território nacional com o poder político contemporâneo.

À missão do SISD não é alheia a desinformação caraterística existente na sociedade portuguesa, daí que se torne mais acutilante a activação do SSI, serviço adstrito à CI que requer absoluto controlo de todos os meios, sejam estes físicos, sejam virtuais, e cuja sua componente é em última instância a de um suporte físico, porque se assim não fosse, seria bem mais fácil eliminar todo o seu conteúdo. 

O poder no futuro estará na informação total, dito de um outro modo, informação omnipresente, onde nada escape ao seu controlo mais do que eficaz. 

Neste sentido, urge criar ferramentas que permitam o controlo omnipresente da informação... 

02 agosto 2012

Psicologia do medo...

O governo, num acto de meio desespero, tentou demonstrar que as forças de segurança estão preparadas para susterem qualquer tentativa de alteração da ordem pública.

Num exercício dialéctico, apenas dizemos que o governo e o seu antecessor, conseguiram fazer mais pela alteração da ordem pública, do que todos os cidadãos juntos, na medida em que ambos têm destruído o tecido produtivo do país com palavras bonitas de austeridade e de meninos bem comportados...

Mas voltando à segurança; o país, neste momento de pré-insolvência, que não consegue pagar as suas dívidas, a não ser com o dinheiro dos outros, não tem capacidade nem meios materiais e humanos para suster uma revolta. Vamos mais longe, só o cidadão é que ainda não se apercebeu que a defesa do Estado está por um fio, e que basta cortar o fio para ele desmoronar...